11 de maio de 2008

Mico em nome da arte...

Queria começar com uma pergunta:
Vocês já tricotaram, crochetaram ou bordaram em público?! Sentiram vergonha ou algo parecido?!
Eu não costumo fazer "isso" em lugares que não são "casas" propriamente, mas algumas vezes acontece... Vou contar:

Estava eu ansiosíssima pra terminar um par de luvinhas para o bebê do meu primo, que pretendo visitar no fim de semana. Pois bem, estava levando muito mais tempo do que o esperado, porque tive que desmanchar quase tudo, depois de dar um nó maluco na costura lateral e ir puxando, puxando, até desfazer quase toda a pobre luva que, detalhe, estava pronta, era só fechar!

Ou seja, queria terminá-la de qualquer maneira e como tinha que esperar meu pequenino na aula de natação, o que fiz?! Tricotei lá enquanto esperava. Eu sei, eu sei que é estranho. É uma academia. No andar de baixo tem um povo fazendo musculação. Música "meio alta" no ambiente. O pessoal pra lá e pra cá na maior agitação. E eu lá, na cadeira, tricotando. As mães do meu lado me olhavam como se eu fosse um E.T. E acho que eu parecia mesmo. Perdida ali no meio.

Tricotei umas carreiras (até que deu pra adiantar bem, valeu o mico!!!) e depois enfiei as agulhas e a lã na bolsa e parti em retirada. Foi estranho. Não fiquei à vontade. Aliás, não só pelo incômodo de me sentir olhada e julgada, mas também porque acho que trabalhos manuais combinam com um canto aconchegante, confortável, calmo.

Acho no mínimo estranho a gente sentir vergonha de fazer uma coisa que só faz bem, que não incomoda ou agride ninguém. Mas, enfim, as coisas são assim mesmo. Lembro que, bem mais nova e ainda não "iniciada" nas delícias das agulhas, eu achava bem estranho ver a mulherada fazendo crochê ou tricô no metrô. Então como achar que não vão me olhar assim também?!

Aliás, sabiam que existe o "Dia nacional de tricotar em público"? É dia 25 de agosto... Se existe dia pra tudo, por que não o de tricotar? Mas eu vou preferir mesmo o aconchego do meu lar...

Bem, o post ficou quase um romance, mas queria dividir a experiência e saber as de vocês. O que acham de contar aqui e darmos boas risadas ou chorarmos muito?!

Logo mais vou postar as luvinhas, personagens principais desta trama...
Então, até o próximo!

7 comentários:

Eliana Lima disse...

Oi, Claudia
Adorei a ilustração do post.
Que eu me lembre, só crochetei em público uma vez... Num salão de beleza e foi bem engraçado.
Eu estava com tinta no cabelo e notei um garotinho de uns 4, 5 anos que olhava, perplexo, p/ minha cabeça e p/ o crochê. rsrsrs Me diverti muito, imaginando o que ele estaria pensando.
Mas é estranho como as pessoas têm preconceito. Aquela história de que é "coisa de vó", né?
Bom final de semana.
bjooo
Eliana

Oficina das Linhas disse...

Oi amiga,

A mim só me aconteceu uma vez, na praia levei o meu ponto cruz, não tinha muita gente, mas mesmo assim notei que me olhavam de lado, com cara de quem me achava doida. Mas não me importei e continuei. Agora como passo mais tempo costurando e não dá muito jeito andar com as ferramentas todas atrás, não faço nada fora de casa...

Beijos e bom fim de semana

disse...

Eu não sou chegada em tricotar sozinha em público... não faço isso.
Mas, nos encontros de tricô que vou, como todo mundo tá tricotando, daí sem problemas :))
bjos

Chula disse...

Hola, estoy totalmente de a cuerdo contigo. Yo vivo en Madrid y hago ganchillo en el metro todos los días. La gente me mira raro, pero ya hay quien no se sorprende y me pregunta. Me gusta tejer y tengo poco tiempo, así que lo hago cuando puedo.
Beso y felicidades por tu blog, me encanta. Lo he conocido gracias a Monica de Cerezas e algodao. Beijo

Beti Copetti disse...

Fiquei impressionada com teu post e com as respostas nos comentários.
Eu não tenho o MENOR problema em fazer tricô, croché, bordar ou costurar e público! Não tenho mesmo!
Quando era adolescente, as meninas iam até pra praça da cidade onde morava, pra fazer tricô. E não lembro de olhares curiosos ou recriminadores.
Talvez sejam coisas típicas da cultura de cada lugar.
Mas imagina que prático fazer um tricozinho numa fila de banco (hehe). Já que algumas filas são inevitáveis, não precisamos perder este tempo!!
Esquece o mico, e viva o tricô!!!

hehehe

Joana disse...

Apesar de já fazer algum tempo que vc postou esse comentario, só agora eu li porque sou blogueira nova e estou explorando aos poucos. Realmente o que você citou é pertinente, isso tem muito a ver com a cultura local. Eu moro em Fortaleza e meus filhos em Curitiba, porisso vivo de lá pra cá e daqui pra acolá. Daqui até lá dá pra fazer um cachecol e eu já fiz crochê no avião, não dá pra fazer tricô porque bate com as agulhas no vizinho da poltrona ao lado. Nos tempos de apagão quando todo mundo estava doido no aeroporto a minha única preocupação era acabar a linha, mas confesso que muita gente olha de rabo de olho, principalmente quando vai indo mais para o sul. No nordeste ninguem liga muito não, mesmo porque aqui muita gente vive do artesanato e quem não vive tem parentesco ou conhece alguem. Em muitas cidades do interior as pessoas ficam nas calçadas a tarde inteira produzindo artesanato, inclusive há muitos homens que devido às dificuldades da lavoura e falta de outro tipo de emprego, optaram pelo artesanato, crochê e bordado. Eu produzo bordados de Richilieu e tenho um bordador. É o mais rápido do bastidor e antes vivia no cabo da enxada. Mas enfim, eu nem ligo. Já passei daquela fase da vida em que tenho que aparentar alguma coisa. Eu faço porque gosto e quem não faz não tem nem idéia do que está perdendo.

Anônimo disse...

olá ,eu vivo com trico na bolsa como levo meus pais aos médicos passo horas em salas de espera,então vou tricotando e me amarro o tempo passa rapidinho e nem fico pensando se tem gente olhando.
beijo e continue bordando